Pós-graduação em Artes Visuais - Cultura
e Criação
Senac - Centro Nacional de Educação a
Distância
Fórum 6 –Bloco Sinuosidade
A flexibilização de limites é, portanto, uma
proposta que surge com a própria modernidade estética e está envolvida na
dissolução de fronteiras rígidas entre figura e fundo, objeto e espaço,
interior e exterior. Reflita agora sobre as duas fotografias de moda das obras
de Poiret e Versace e compare-as do ponto de vista de sua plasticidade. Debata:
como se caracterizam as relações entre corpo e espaço em cada obra?
Resposta:
É,De fato, muito interessante a possibilidade
da comparação entre Poiret e Versace. Dois
artistas visionários, mestres de
seu tempo, que souberam estimular o
gosto pelo duvidoso, e explorar as
relações entre o corpo e a sensualidade. Paul Poiret, expressivamente
excêntrico. Gianni Versace, essencialmente sexista. Definições, que traduzem bem o perfil desses dois criadores e que,
estão implícitas, nas duas fotografias
em questão, analisadas no contexto da sinuosidade.
Poiret, foi precursor e pré-moderno. Com sua
atitude ousada, rompeu com séculos de tradição do vestuário feminino, e Aboliu
o grande vilão da indumentária, o espartilho,
incorporando à moda européia,
roupas com influência oriental, como túnicas, quimonos, capas e
calças amplas.
O casaco
Fantasio, é uma peça intrigante, que chama a atenção, gera estranhamento e ao mesmo tempo insinua
um certo mistério, sobre o que pode estar por baixo de sua forma ampla. Essa era na verdade, a intenção de
Poiret. Ele pretendia esconder a silhueta da mulher, até então exacerbada e
aprisionada, pelos padrões rígidos da Belle ´Époque, propondo assim, uma relação mais livre e
prática, da mulher com sua roupa e seu corpo. A linha preta sinuosa, aplicada
ao casaco, referência artística notória do Art Nouveau, quebra e suaviza, a
geometria da modelagem da peça. Aqui, não é mais a roupa que faz a atitude da
mulher, mas a mulher que dá atitude à
sua roupa.
Versace, pôde experimentar a criação em um
momento que a moda, já havia passado por uma revolução cultural, e também,
sexual. A partir dos anos 80, isso vai se tornar notório, nas atitudes de
contracultura, que advém dos movimentos jovens. Punks, new waves, andróginos.
clubbers. Variações para todos os gostos e estilos. Versace apostou na imagem de uma mulher exuberante, e quando se
atribui a ele, o termo sexista (do superlativo em inglês "sexiest", o
mais sexy(, está se referindo a uma roupa com forte conotação sexual, que evidencia as formas e a sinuosidade do corpo feminino. É o que se nota na fotografia com o
modelo de Versace. O vestido faz referência a uma coleção icônica, lançada pela
grife na década de 90, intitulada "Bondage", e, mais recentemente,
revisitada nos figurinos, da cantorapop, Lady Gaga. O Bondage, a que se refere
o tema da coleção, vem do sentido fetichista da expressão do francês :
submissão, escravidão), que consiste em uma forma de se amarrar, ou amarrar
alguém, com foco no prazer. Há quem o considere, no mundo contemporâneo,
como uma manifestação artística,
utilizando a sua prática para fins estéticos.
Daí, não é difícil entender, de onde veio a inspiração de Versace, para
a criação de uma coleção, com roupas, que são extremamente marcadas e ajustadas
ao corpo, revelando assim, toda a sinuosidade, e sensualidade das
formas femininas.
As duas obras exibem, portanto, um conceito
similar, interagindo com o espaço à sua volta, porém em uma relação inversa.
Enquanto Poiret cria a sinuosidade na peça, para que esta, interfira na relação
com o corpo, Versace utiliza a sinuosidade do corpo, ´para que esta interaja
com a roupa e com a composição esquemática do espaço na fotografia,
transformando a mulher em um objeto de desejo.
A referência de Versace, se apresenta muito
recorrente na publicidade contemporânea, que aliada à fotografia de moda, apela
para a exploração de uma imagem provocante, em alguns casos erotizada e pode-se
dizer até, extremamente fetichista. Essa tendência, vem sendo marcante desde a
década de 80, com campanhas que exploraram o corpo feminino, em detrimento ao
forte apelo comercial. Slogans como "Não há nada entre minha Calvin e
eu", da atriz ninfeta Brook Shields, para a marca Calvin Klein, em um
comercial de jeans, foi apenas uma premissa
do que viria a acontecer, nas décadas posteriores. De Madonna, com seu
celebrado sutiã bicudo, a Lady Gaga com seus looks de carne crua, passando
por merchandisings memoráveis, de nomes da moda contemporânea, como o próprio
Versace, Gaultier, Tom Ford, Marc Jacobs, entre outros, que utilizaram a
fotografia de moda artística, como recurso para o conceito imagético de suas
grifes.
Campanha do perfume
Tom Ford for Men, por Terry Richardson – Anos 2000
Convido à conferirem, algumas dessas referências,
que selecionei no link abaixo,, e que exemplificam, com propriedade, essa
simbiose, do apelo comercial com a sinuosidade, em ambos os gêneros e em termos
bastante explícitos.
Divirtam-se!
Thiago Cerejeira
Obs. :
Quem
desejar pode conferir abaixo compacto do
desfile da Bondage Collection de 1992, da Versace:

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