Pós-graduação em Artes Visuais - Cultura
e Criação
Senac - Centro Nacional de Educação a
Distância
Atividade Prática 10 - Bloco Repetição
"Flor"
A
proposta de criação para esta atividade tomou como base o seguinte princípio:
“a) A repetição é o que permite a
percepção de ritmos espaciais e temporais. Crie uma imagem em que diferentes
ritmos se combinem e cujo resultado comunique equilíbrio.”
O
ato de repetir, tornou-se uma constante da modernidade, pois com o advento da
Revolução Industrial, essa fórmula foi adotada por várias esferas sociais,
incluindo a arte. Passou a ser
frequentemente associada à produção de objetos iguais, aos gestos repetidos, de
acordo com o ritmo das máquinas, a
padronização do comportamento e a massificação dos indivíduos, determinando
assim sua inevitável presença, no contexto urbano das grandes cidades.
Embora
inicialmente tenha se apresentado como um aspecto negativo, mesmo havendo uma
crença nos benefícios da indústria para a vida cotidiana, a ideia de repetição
assumiu valores positivos em certos casos, e
nem sempre foi associada aos processos industriais. É o que observamos
por exemplo, na fotografia de Rodtchenko, que mostra a repetição, como atividade do dia a dia, e ao mesmo tempo
como padrão geométrico abstrato, fato que leva à reflexão de uma das principais
filosofias do Construtivismo, onde as
formas deviam negar as posições estáticas e a própria noção de
estabilidade. Assim a forma era
concebida como uma construção espacial, combinação de elementos visuais em
novas imagens da realidade.
A
escada, 1930 - Alexandre Rodtchenko
A
idéia de repetição pode ser associada à ideia de ritmo, pois a percepção de um ritmo é a percepção de algo
que se repete regularmente, no espaço ou
no tempo, seja um som, um movimento, ou qualquer outra coisa. O ritmo é uma
experiência vital, ligada aos batimentos cardíacos, à respiração, ao falar e ao
caminhar, por isso a sua sensação transmite harmonia e beleza. Neste sentido,
outra obra que se apresentou interessante para a concepção deste projeto foi o
Vestido Dior, que apresenta semelhanças com a fotografia de Rodtchenko. Ambas mostram mulheres subindo escadas, e
fazem da estrutura em degraus uma motivação plástica, um princípio determinante
do trabalho. No vestido, isso é visível tanto no próprio plissado do tecido,
quanto na modelagem da saia, que cai em uma sequência de camadas, da cintura ao
chão.
Linha
Vertical, 1950 - Christian Dior
Seguindo
o critério que Dior usou em seu vestido, que funciona como uma espécie de música
para os olhos, onde uma combinação de
ritmos visuais, se sobrepõe e se misturam, como que exaltando a graciosidade das curvas femininas, em um exemplo perfeito daquilo que ele mesmo chamou
de "mulher-flor", formas harmoniosas que desabrocham em movimentos e
camadas, e linhas que se propagam no espaço.
A
partir dessa inspiração, adotou-se a proposta da elaboração de um projeto,
fundamentado na conceituação definida por Donald Judd, de objeto específico,
que não é necessariamente pintura ou escultura, mas que está em diálogo com as duas linguagens. Pensou-se
então na projeção de um objeto tridimensional, que seria organizado a partir da
repetição de um mesmo elemento, porém com diferenças em sua estruturação.
O
material pensado para a criação, foi essencialmente o papel virgem, peso 40,
branco, modelado em forma de plissado, como nos efeitos obtidos, tanto na fotografia
como no vestido, e dispostos em uma ordem estruturalmente crescente, em uma
alusão ao particular formato de uma "flor". Para tanto, a imagem de referência escolhida
para a composição deste objeto, foi a de um cravo branco, pela sua peculiar
característica do formato das pétalas, que tem um efeito próximo ao dos
resultados ópticos das obras de Rodtchenko e Dior.
Imagem
de referência: Cravo branco
As
etapas de montagem compreenderam um processo muito simples, que se iniciou com
a modelagem e dobradura das folhas de papel em formato plissado, onde foram
posteriormente organizadas em um suporte. As folhas plissadas ou “pétalas”,
foram propositalmente elaboradas em tamanhos diferentes, para que pudessem
apresentar a sensação de, ora expansão, ora afunilamento, como em um
desabrochar.
Materiais
utilizados no processo de construção
A
"Flor" obtida como resultado deste processo prático, carrega em si um
apelo
conceitual, que poderia ser associado à ideia de Joseph Kosuth, quando disse
que " as verdadeiras obras de arte são as idéias". Com sua
frase, Kosuth nega que a arte seja uma
produção de objetos, e afirma que ela é uma produção de pensamentos sobre os
objetos, pensamentos sobre os seus significados, e finalmente sobre o próprio
modo como os pensamentos são estabelecidos pela linguagem.
Portanto
fazer arte seria investigar a relação entre as coisas e as suas representações
visuais e verbais, que são formas de linguagem, com as quais pensamos e
conceituamos as coisas. Como a arte é a
própria produção dessa ideia, o
observador torna-se também artista, pois produz arte. Uma arte como ideia não
pode ser comprada, pode apenas ser pensada por qualquer pessoa, logo essa arte
da reflexão seria também uma crítica aos mecanismos do mercado, que tendem a
favorecer o objeto de arte único, valorizado como mercadoria para poucos.
O
resultado final do processo, que pretende atender à solicitação desta
atividade, pode ser conferido na imagem a seguir.
Flor,
2012 – Thiago Cerejeira







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