Tuesday, 20 November 2012

Fórum 10 - Bloco Repetição



Pós-graduação em Artes Visuais - Cultura e Criação
Senac - Centro Nacional de Educação a Distância



Fórum 10 - Bloco Repetição

Warhol, Kosuth, Judd e Resende tratam de afirmar é que a arte está nas relações que eles criaram entre certos objetos, imagens e pessoas, e que cada espectador será capaz de vivenciar e dotar de sentido. O que isso lhe recorda? O readymade de Marcel Duchamp, provavelmente. Afinal, este consiste justamente em um objeto industrializado, portanto produzido em série, igual a outros tantos, que a ação do artista situou como arte. Agora reflita sobre a ação de Resende, sobre as coisas e a situação em que ele atuou. Neste fórum, debata sobre as possíveis relações e diferenças entre a obra de Resende e a obra de Duchamp; considere os materiais, as configurações, os lugares e o público envolvidos em suas respectivas ações.


Resposta:


"...Todo dia ela faz tudo sempre igual...
 Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar...
 Todo dia eu só penso em poder parar..."

O trecho da música de Chico Buarque é um bom exemplo de como a repetição se faz presente em nosso "cotidiano". Gestos e ações que se repetem, constantemente, sem na maioria das vezes, nos apercebermos. Essa pode ter sido uma das consequências da urbanização e da modernidade, que trouxe um ritmo mais frenético e acelerado para a rotina das pessoas.

Ao longo do século XX, as artes passaram  então, a romper com a bipolaridade que classificava  as obras em pintura/escultura e, a partir daí, novos e inusitados meios de expressão artística são retirados de nosso cotidiano, e estetizados como se fossem criações inéditas e originais.

Tantas vezes já se falou por aqui em Duchamp, mas nunca é demais reforçar que ele é de fato, o grande culpado por isso tudo, pois suas propostas que contrariavam a noção tradicional de objeto de arte, foi determinante para que se definisse a corrente da arte contemporânea, na qual se propunha  que  alguém seria considerado artista, por suas idéias e não por suas habilidades manuais. Esse é um aspecto que fica evidente, na obra clássica de  Kosuth, vista no bloco, e que vai se fixar nos preceitos da arte conceitual, em que fica implícita a própria negação do objeto,
tendência que irá se fixar a partir da década de 60,  com diferentes linguagens como as intervenções,   performances e a body  art.

A notoriedade das intervenções, se fez e se faz presente, em  muitas exposições artísticas contemporâneas, e se tornou um grande sucesso porque permitiu a interação entre o espaço e o espectador, além de se utilizarem de materiais diversos para a síntese de suas mensagens. Aos poucos conseguiram romper com as barreiras das salas de exibição, galerias e museus para se tornarem públicas e intervirem na apreensão do espaço urbano. Essa possibilidade de uso de recursos e  materiais inusitados, agradou ao grande público, e foi responsável por uma popularização da arte. Seu ponto fundamental é o poder de reflexão que desperta no observador acerca da sua vida, do seu em torno, da sua cidade. E nesse sentido, nem precisamos justificar o que há em consonância entre Duchamp e Resende, mesmo considerando a diferença de suas épocas, já que as obras de ambos,  instigam a imaginação, mexem com o imaginário do público, expõem de maneira estética as questões práticas e filosóficas que assolam a mente do homem contemporâneo.

Exemplifico com mais duas intervenções, a de Eduardo Srur, Garrafas pet coloridas no Tietê, que faz  a crítica à poluição ambiental, ao descaso da população com os recursos naturais, e se veste de um colorido que enfeita a cidade de São Paulo num de seus pontos mais nevrálgicos. E  Jean Shin, com sua "Onda de Som", no Museu de Arte e Design de Nova York.

Segue um link sobre Intervenções urbanas, interessante para quem quiser aprofundar a discussão:

http://www.arquitetonico.ufsc.br/intervencoes-artisticas-no-espaco-publico

E para não dizer que não falei em Warhol, sem dúvida, o artista que melhor sintetizou a arte da repetição,  inconfundível em seu enaltecimento da sociedade de consumo, deixo outro link, desta vez   para vivenciar o trabalho de Warhol em suas serigrafias em série, onde se pode clicar e mudar os diferentes tons das cores. E viva Marilyn.

http://www.webexhibits.org/colorart/marilyns.html



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