Pós-graduação em Artes Visuais - Cultura
e Criação
Senac - Centro Nacional de Educação a
Distância
Fórum 10 - Bloco Repetição
Warhol, Kosuth, Judd e Resende tratam de
afirmar é que a arte está nas relações que eles criaram entre certos objetos,
imagens e pessoas, e que cada espectador será capaz de vivenciar e dotar de
sentido. O que isso lhe recorda? O readymade de Marcel Duchamp, provavelmente.
Afinal, este consiste justamente em um objeto industrializado, portanto
produzido em série, igual a outros tantos, que a ação do artista situou como
arte. Agora reflita sobre a ação de Resende, sobre as coisas e a situação em
que ele atuou. Neste fórum, debata sobre as possíveis relações e diferenças
entre a obra de Resende e a obra de Duchamp; considere os materiais, as
configurações, os lugares e o público envolvidos em suas respectivas ações.
Resposta:
"...Todo
dia ela faz tudo sempre igual...
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar...
Todo dia eu só penso em poder parar..."
O
trecho da música de Chico Buarque é um bom exemplo de como a repetição se faz
presente em nosso "cotidiano". Gestos e ações que se repetem,
constantemente, sem na maioria das vezes, nos apercebermos. Essa pode ter sido
uma das consequências da urbanização e da modernidade, que trouxe um ritmo mais
frenético e acelerado para a rotina das pessoas.
Ao
longo do século XX, as artes passaram
então, a romper com a bipolaridade que classificava as obras em pintura/escultura e, a partir
daí, novos e inusitados meios de expressão artística são retirados de nosso
cotidiano, e estetizados como se fossem criações inéditas e originais.
Tantas
vezes já se falou por aqui em Duchamp, mas nunca é demais reforçar que ele é de
fato, o grande culpado por isso tudo, pois suas propostas que contrariavam a
noção tradicional de objeto de arte, foi determinante para que se definisse a
corrente da arte contemporânea, na qual se propunha que
alguém seria considerado artista, por suas idéias e não por suas
habilidades manuais. Esse é um aspecto que fica evidente, na obra clássica
de Kosuth, vista no bloco, e que vai se
fixar nos preceitos da arte conceitual, em que fica implícita a própria negação
do objeto,
tendência
que irá se fixar a partir da década de 60,
com diferentes linguagens como as intervenções, performances e a body art.
A
notoriedade das intervenções, se fez e se faz presente, em muitas exposições artísticas contemporâneas,
e se tornou um grande sucesso porque permitiu a interação entre o espaço e o
espectador, além de se utilizarem de materiais diversos para a síntese de suas
mensagens. Aos poucos conseguiram romper com as barreiras das salas de
exibição, galerias e museus para se tornarem públicas e intervirem na apreensão
do espaço urbano. Essa possibilidade de uso de recursos e materiais inusitados, agradou ao grande
público, e foi responsável por uma popularização da arte. Seu ponto fundamental
é o poder de reflexão que desperta no observador acerca da sua vida, do seu em
torno, da sua cidade. E nesse sentido, nem precisamos justificar o que há em
consonância entre Duchamp e Resende, mesmo considerando a diferença de suas
épocas, já que as obras de ambos,
instigam a imaginação, mexem com o imaginário do público, expõem de
maneira estética as questões práticas e filosóficas que assolam a mente do
homem contemporâneo.
Exemplifico
com mais duas intervenções, a de Eduardo Srur, Garrafas pet coloridas no Tietê,
que faz a crítica à poluição ambiental,
ao descaso da população com os recursos naturais, e se veste de um colorido que
enfeita a cidade de São Paulo num de seus pontos mais nevrálgicos. E Jean Shin, com sua "Onda de Som",
no Museu de Arte e Design de Nova York.
Segue
um link sobre Intervenções urbanas, interessante para quem quiser aprofundar a
discussão:
http://www.arquitetonico.ufsc.br/intervencoes-artisticas-no-espaco-publico
E
para não dizer que não falei em Warhol, sem dúvida, o artista que melhor
sintetizou a arte da repetição,
inconfundível em seu enaltecimento da sociedade de consumo, deixo outro
link, desta vez para vivenciar o
trabalho de Warhol em suas serigrafias em série, onde se pode clicar e mudar os
diferentes tons das cores. E viva Marilyn.
http://www.webexhibits.org/colorart/marilyns.html
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